O período da fundação (1217-1342)

Vocaciones “ven y sígueme”

O período da fundação da Custódia da Terra Santa

Approdo di S.Francesco ad Acco

Na prática a origem da Custódia da Terra Santa si dá em 1217, ano no qual, em Santa Maria dos Anjos, próximo de Assis, se celebra o primeiro Capítulo Geral dos Frades Menores. São Francisco, em um gesto inspirativo, decide mandar os seus frades a todas as nações.
O mundo foi, por assim dizer, dividido em “Províncias” franciscanas e os frades, partindo de Assis, dividiram-se aos quatro pontos cardiais. Naquela solene ocasião, não foi esquecida a Terra Santa. Entre as onze Províncias-Mães da Ordem, apareceu também a Província da Terra Santa. Nos documentos foi apresentada com nomes diferentes: Província da Síria, da România ou Ultramarino.

Esta Província era composta por Constantinopla e o seu império, pela Grécia e suas ilhas, pela Ásia Menor, Antioquia, Síria, Palestina, a ilha de Chipre, Egito e todo o resto do Oriente.

A Província da Terra Santa, seja pela vastidão do seu território, seja pela presença dos Lugares Santos, sempre foi vista com especial consideração. Era apresentada, desde o início, como sendo a “Província” mais importante da Ordem. Por isso, talvez, tenha sido confiada aos cuidados de frei Elias, um expoente na fraternidade que surgia, seja por seu talento organizativo, seja por sua vasta cultura. Seria interessante conhecer as iniciativas de frei Elias para organizar e consolidar esta Província da Ordem, levando em conta os problemas existentes naquele ambiente e por sua grande extensão geográfica.
O zelo e a qualidade de um bom governo que distinguiam frei Elias, devem ter-lo impulsionado, durante os anos de seu mandato, a lançar as bases do apostolado franciscano em todas as regiões situadas na Bacia Sul – Oriental do Mediterrâneo.
Em 1219, o próprio São Francisco quis visitar pelo menos uma parte da Província da Terra Santa. Os documentos que relatam a presença do “Pobrezinho de Assis” entre os Cruzados, sobre os muros de Damieta, são do conhecimento de todos. Como também é conhecido o encontro de São Francisco com o Sultão Egípcio, Melek-el-Kamel, neto de Saladim o Grande. Os mesmos documentos relatam que Francisco, depois de ter deixado Damieta, dirigiu-se à Síria.
De qualquer modo, a visita de São Francisco aos Lugares Santos se deu entre 1219 e 1220. Referente a isto Jacques de Vitry, bispo de São João de Acre (cidade conhecida como Tolemaida), escreveu: “O mestre desses frades, que é também o fundador da Ordem, chama-se Francisco. É amado de Deus e venerado por todos os homens. Veio ao nosso exército cheio de zelo pela fé. Não teve medo de passar até o campo dos inimigos”.

Durante sua breve viagem, São Francisco indicou aos futuros missionários franciscanos de que modo eles deveriam habitar naquelas regiões e qual seria o seu campo específico de atividades. No entender do “Pobrezinho”, a Evangelização deve ser feita amigavelmente e com extrema humildade, exatamente como ele fizera com o Sultão. Os Lugares Santos devem ser amados e venerados por sua estreita relação com os momentos mais significativos da vida de Cristo.

I Crociati a Gerusalemme

Os historiadores afirmaram que a partir do século XII, e especialmente a partir da falência das Cruzadas, o acesso aos Lugares Santos veio garantido pelo uso de uma nova estratégia, onde o apostolado missionário, através de uma presença desarmada dos franciscanos veio a substituir as expedições militares.
Quando o Papa Gregório IX, de Perusa onde vivia, com a Bula datada em 1º fevereiro de 1230, recomendava aos Patriarcas de Antioquia e de Jerusalém, aos Núncios da Santa Sede, a todos os Arcebispos e Bispos, aos Abades, aos Priores, aos Superiores, aos Decanos, aos Arcediaconos e a todos os Prelados da Igreja os quais teriam contato com a Bula, de acolher e favorecer em todos os modos a Ordem dos Frades Menores. Podemos concluir que de qualquer modo, as Cruzadas faliram no objetivo e que teria sido melhor e, sobretudo mais evangélico esforçar-se a conviver e a dialogar com os Muçulmanos, ao invés de combater-los.
Sendo assim, até mesmo a causa dos Lugares Santos teria conseguido vantagens melhores. De qualquer modo, se a Bula de Gregório IX de 1230 não pode ser considerada um documento oficial para o reconhecimento jurídico do ensinamento dos filhos de São Francisco na Terra Santa, ela é, porém o documento que prepara o terreno e abre a possibilidade de penetrar no país e de tomar posse do mesmo.

Outra data segura, para a história da Província da Terra Santa, é o ano de 1263. Naquele ano, sob o generalato de São Boaventura, se celebrou, em Pisa, o Capítulo Geral. Naquela ocasião, como era de se esperar, se discutiu também sobre a Província da Terra Santa. Onde foi decidido de circunscrever esta Província em Custódias: a Custódia de Chipre, da Síria, do Líbano, da Palestina e da Terra Santa que compreendia os conventos de São João de Acre, Antioquia, Sidon, Tripoli, Jerusalém, Jaffa.
A reconquista de São João de Acre por parte dos Muçulmanos, ocorrida em 18 de maio de 1291, marcou o fim do reino latino na Terra Santa. Os cristãos foram submetidos a duras provas. Os franciscanos foram expulsos da Terra Santa e obrigados a refugiar-se em Chipre, onde se encontrava naquela época a sede do Provincial. Devida a proximidade geográfica os franciscanos não deixaram de mostrar interesse pelo trabalho na Terra Santa. Mesmo exilados da sua pátria, o constante desejo dos frades era de encontrar um modo de viver próximo dos Lugares Santos.
Sobre isso não se descuidaram. Visitas privadas de cunho devocional e visitas autorizadas pela Santa Sé foram realizadas para manter o contato com os Lugares Santos, estes fatos são testemunhados por documentos históricos daquela época.

Um dos primeiros gestos de benevolência cumpridos a favor dos franciscanos veio por parte do sultão Bibars II (1309-1310) o qual doou a eles a “igreja de Belém”, mas por motivo de morte repentina deste sultão os frades não puderam tomar posse da igreja. Em 1322, Jaime II de Aragão, obteve do sultão Egípcio Melek el Naser que a proteção do Santo Sepulcro fosse confiada aos Dominicanos Aragonenses. Mas a autorização pareceu inválida. O próprio Jaime II, quatro anos depois em 1327 implorava novamente a graça suprema, mas desta vez não aos Dominicanos e sim aos franciscanos.

A Bula do Papa João XXII, emitida em 9 de agosto de 1328, concedia ao Ministro Provincial residente em Chipre a faculdade de enviar a cada ano dois frades para visitar os Lugares Santos. Na realidade, já no período que vai de 1322 a 1327, alguns franciscanos prestavam serviços no Santo Sepulcro.
Em 1333 o sultão do Egito concedeu ao frei Roger Guérin de Aquitania o Santo Cenáculo. Este frade por sua vez não tardou em construir um convento nas proximidades servindo-se de fundos colocados a disposição pelos Soberanos de Nápoles, Roberto de Anjou e de Sancha, filha de Jaime I rei de Maiorca. Estes dois soberanos, com muito mérito, são considerados os “instrumentos da Providência” no que toca os Lugares Santos. Exerceram a função de peça chave nas tratativas, seja por sua influência diplomática, seja pelas particulares ajudas dadas.
Foi graças a eles e sua interseção, que as autoridades muçulmanas locais concederam aos franciscanos o direito oficial de atuarem na Basílica do Santo Sepulcro.

O reconhecimento jurídico por parte da Santa Sé, estendido também aos outros santuários, surgiu alguns anos mais tarde, justamente em 21 de novembro de 1342 com as Bulas Gratias Agimus e Nuper Carissimae. Estas Bulas são consideradas a conclusão definitiva do comprometimento dos reis de Nápoles durante as longas documentações seguidas pela causa dos Lugares Santos. Além do reconhecimento oficial, a Bula de 1328 apresentava prescrições e atas para garantir a continuidade da instituição. Com uma intenção particular, veio assegurada a internacionalidade da nova entidade eclesiástico-religiosa, prescrevendo que os frades poderiam ser provenientes de todas as Províncias da Ordem. Para salvaguardar a disciplina, vinha prescrito que todos os frades, de qualquer Província a que pertencessem, uma vez que nomeados ao serviço na Terra Santa, estariam sob a obediência do Padre Custódio do Monte Sião em Jerusalém, que era o representante do Ministro Provincial residente a Chipre.

Em 1347 os franciscanos tomaram posse definitiva também em Belém próximo à Basílica da Natividade de Nosso Senhor.
Os primeiros estatutos da Terra Santa, que remonta a 1377, previam não mais de vinte religiosos no serviço dos Lugares Santos de: Santo Sepulcro, Santo Cenáculo e Belém. A principal atividade deste número de frades era de assegurar a vida litúrgica nos Santuários nomeados e a assistência religiosa aos peregrinos europeus. Em um documento do ano de 1390, se especifica que a Província da Terra Santa, com sede em Chipre, tinha também uma Custódia em Síria, que abarcava quatro conventos: Monte Sião, Santo Sepulcro, Belém e Beirut. É importante notar que o documento em questão não faz outra coisa a não ser confirmar a situação que já existia a tempo, seja pelo número de conventos seja pela denominação do organismo religioso chamado Custódia de Síria. Isto talvez para não criar possíveis confusões com a denominação de Província da Terra Santa da qual fazia parte.

Neste primeiro período oficial da sua história, a Custódia obteve o “selo do martírio” com o sacrifício de muitos dos seus frades. O primeiro sangue franciscano que banhou a terra de Jerusalém foi em 1244, durante a invasão dos Carismini que passaram no fio da espada, um grande número de cristãos e trucidaram cruelmente os Frades Menores.
Outros, lembrados por Alessandro IV, sofreram o martírio em 1257. Nove anos depois, em Safet por volta de 1266, outros dois mil combatentes cristãos morreram depois da ocupação da cidade por parte do Sultão Bibars. Junto destes, morreram também os heróicos frades que não quiseram renegar sua fé. Em 1268 também Jaffa e Antioquia tiveram suas vítimas franciscanas.
Novamente na Síria, em 1269, a fio de espada sarracena morreram oito frades. Fatos narram que sobre o corpo de um desses, o de frei Corrado de Hallis, que boiava no mar, brilharam por quase três dias duas chamas fulgurantes. Em Damasco e em Tripoli, no ano de 1277, um novo sangue cristão foi derramado pelas mãos armadas do Sultão Kelaun.
Acre, a última fortaleza do Reino Latino, foi assaltado pelo Sultão Melek el Ascaraf. Mais de três mil cristãos e numerosos frades sucumbiram naquela ocasião por causa dos sarracenos.

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Calendário

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Gethsemane: 8.00 Mass (Passion sung) Holy Sepulchre: 8.00 Mass (Passion sung) & Daily Procession –10.00 Veneration of the Column – 16.00 Office

02/04/2015 CELEBRAÇÕES

Holy Sepulchre: 8.00 Entrance – The Lord's Supper & Procession of the Blessed Sacrament – 14.45 Office Cenacle – S. James – S. Mark: 15.30 Pilgrimage Gethsemane: 21.00 Holy Hour

03/04/2015 CELEBRAÇÕES

Calvary: 8.00 The Lord's Passion Via Crucis: 11.30 Holy Sepulchre: 16.00 Office – 20.10 Funeral Procession

05/04/2015 CELEBRAÇÕES

Easter Sunday Holy Sepulchre: 7.30 Simple Entrance – 8.00 Solemn Mass & Procession – 17.00 Daily Procession

06/04/2015 CELEBRAÇÕES

Emmaus (Qubeibeh): 10.00 Solemn Mass (Custos) – 14.30 Vespers Holy Sepulchre: 8.00 Solemn Mass – 17.00 Daily Procession

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